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Quem deve pagar pela crise é quem a causou

Por: Denise Carneiro - sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A nova e devastadora crise econômica mundial se alastra em todo o mundo, como sempre atingindo as camadas menos abastadas da população de todos os países que apostaram na globalização como única forma de inter-relação comercial e econômica.

Estamos próximos ao Dia Internacional da Mulher e esse debate não está pautado nas mesas dos nossos eventos. Mas ele atinge todos os trabalhadores e mais severamente as mulheres. Ele será abordado aqui de forma concisa, para tentarmos colocar alguns pontos que não são abordados pela grande imprensa , enfatizando a dramaticidade da questão de gênero que se reforça ainda mais duramente em momentos de crise.

Primeiramente, é necessário esclarecer:
1. O Brasil está sentido sim – e fortemente – os efeitos dessa crise. Por mais que se tente negar, os trabalhadores estão perdendo os empregos, não estão conseguindo vender bens, estão pagando altas taxas de juros etc. A forma com que o governo brasileiro está tentando reagir à crise mostra, mais uma vez, que o Estado capitalista está a serviço das grandes empresas. Prova disso são oreforço nos cortes de gastos públicos, saúde, educação, previdência e os gastos com políticas sociais específicas para poder acumular mais dinheiro e salvar bancos, montadoras etc.

A Lei Maria da Penha, por exemplo, teve um corte de 40% no ano passado para sua implementação prática e espera um corte maior neste ano. O investimento em creches públicas idem. Aumento para funcionalismo? Apenas o que já foi aprovado e sem se afirmar com certeza que virá. 2. Essa não é a primeira crise que atravessaremos, pois o capitalismo é essencialmente um sistema que se alimenta de crises. Poderíamos dizer que um não vive sem o outro.

O gráfico do capitalismo é expresso em ondas. Sempre depois do seu ápice, vem a queda. E aí está a grande falácia do liberalismo: pregam o Estado mínimo, mas sempre chamam os governos para intervirem quando o cenário é de crise. Isso é que chamamos socialização dos prejuízos! Mas os lucros ficam sempre nas mesmas mãos.

Nossos impostos fazem o lastro para amortecer o prejuízo dos grandes conglomerados financeiros e industriais. O governo está pagando salário (com o nome de “seguro-desemprego”) dos empregados das montadoras, que reduziram drasticamente a produção de veículos para o preço do automóvel não cair e, junto com ele, os seus lucros. A maquiagem de redução de valor se deve apenas à redução de impostos. E ainda se aproveitam do momento para cobrar mais flexibilização nas leis trabalhistas com redução de salários.

Ou seja, mais uma vez fica provado que são os trabalhadores que pagam pela crise. Dentre eles, ainda há situações mais cruéis como a das mulheres cujos empregos e condições de trabalho (creche, políticas públicas etc.) estão mais vulneráveis à instabilidade do mercado. Também não se pode minimizar os efeitos do desemprego que traz conseqüências nefastas à estrutura familiar, agravando situações de violência contra mulheres e crianças.

Acreditamos que a organização dos trabalhadores é essencial no debate sobre a forma de o País reagir à crise defendendo o emprego, os direitos sociais, as condições de trabalho, manutenção das políticas públicas, redução das taxas de juros, redução da jornada de trabalho sem redução de salários etc., invertendo a lógica atual de fazer com que os trabalhadores paguem pelo que não causaram!

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